Explicando o inexplicável, coronavírus e o risco da saúde do governo Bolsonaro

Tomado por ciúmes e raiva, Bolsonaro finda a reunião com os ministros, após a constrangedora coletiva de imprensa com o Gabinete da Crise, diluindo o protagonismo de Mandetta e transferindo a culpa das manifestações para os assessores. 

Com toda tensão do dia, a coordenação das ações políticas está perdida em meio ao temor do gradativo afastamento da base aliada que manifesta abertamente descontentamento com o governante. 

A equipe ministerial permaneceu muda enquanto o presidente soltava frases desconexas e manifestava uma grande preocupação com a sua imagem e com os efeitos do panelaço. Chamou atenção, em particular, a atenção e tratamento desrespeitoso que o chefe da nação dispensou aos governadores do Rio de Janeiro e de São Paulo. Enquanto falava algumas frases repetidas e soltas procurava com os olhos a aprovação de Paulo Guedes e Sérgio Moro que, a cada dia demonstram mais o incômodo de ficar ao lado do presidente.  

A reflexão da cúpula do poder é que a inabilidade do presidente vai sair caro para o governo. No entanto, há uma evidente sensação que não há espaço para uma avaliação honesta e com objetivo de diminuir os impactos da crise sobre a gestão Bolsonaro. A assessoria do presidente tem ficado acanhada e com receio de ser fritada pelo instável humor do mandatário do país e vê com constrangimento o líder da nação jogar a responsabilidade sobre os outros e se trocar por governadores e ministros, como se estes estivessem no comando do Brasil.

De forma histérica, Bolsonaro exigiu ações e a montagem de uma estratégia para diminuir as críticas ao governo, o que despertou sentimentos desoladores nos seus próprios ministros que se depararam com um cenário no qual o presidente se preocupava mais com sua imagem do que com a saúde da população. 

Em meio ao tiroteio de ideias perdidas, consolidaram a proposta de apresentação de um pacote de ações por dia – só não se sabe quais ações serão apresentadas – mas elas devem ganhar um peso maior do que as que forem apresentadas pelos governadores. O objetivo das ações deve ser conter o tempo e a moral perdida.

Como resultado do conjunto de erros realizados pelo presidente desde que começou a crise, por todo o país, durante a coletiva e ao longo da noite, ecoaram panelas e palavras contra o presidente e um governo que se arrasta pelo peso da vergonha alheia.


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